Carlos Baccelli conta no seu livro "Chico Xavier 70 anos de Mediunidade" que, numa longínqua noite de sábado, estava ele com o médium e outras pessoas em peregrinação nos arredores da "Comunhão Espírita-Cristã", na cidade de Pedro Leopoldo. A passos vagarosos, o grupo avançava de casa em casa, por ruas escuras e esburacadas que dificultavam a movimentação.
Lilico era o confrade que ia na frente, carregando um lampião portátil para clarear o caminho. E aconteceu que o Lilico, distraído, adiantou-se demais - uns vinte metros - deixando a turma para trás, numa quase completa escuridão. Havia chovido e ninguém escapava das poças d'água. Ouvindo os resmungos de todos, Chico chamou o Lilico. E deixou-nos esta preciosa lição:
- "Lilico, meu filho, por favor, vá com calma, espere por nós... A luz não deve estar nem muito à frente, nem muito atrás... Para que possamos enxergar por onde ir é preciso que ela nos acompanhe"... Somente aí companheiro do lampião deu-se conta da importância de mantermos a luz sempre próxima, nem muito adiantada, nem atrasada demais.
E Baccelli comenta que frequentemente se lembra desse episódio, comparando aquilo que o Chico disse a Lilico com as revelações que nos têm sido feitas pelo Mundo Espiritual. Às vezes, desejamos que os espíritos nos tragam novas informações e detalhes da vida além da morte, esquecendo-nos de que toda revelação deve ser gradativa e sem saltos.
Não olvidemos que a descida de Jesus - a Luz do Mundo! - até nós, foi preparada com séculos de antecedência. Isaías, quase oitocentos anos antes, falava no Messias ansiosamente aguardado. Em nossos dias, o Espiritismo aos poucos vai levantado o véu de Isis, aquela tela que separa a morte da vida, na proporção das luzes que vamos adquirindo.