Se você nunca experimentou uma das sensações contidas no título acima, provavelmente conhece pessoas que já passaram pelas mesmas, até mais de uma vez. Surgem de forma instantânea, passam rapidamente e somem sem deixar vestígios. Este fenômeno, ainda não catalogado pela ciência oficial, pode referir-se à faculdade mediúnica, presente na vida de todos nós, não dependendo de idade, sexo, condição social ou religião. Ao sentir um desses sintomas, os antigos costumavam exclamar: "Cruzes, a morte acaba de passar bem aqui, pertinho de mim". O próprio Allan Kardec, ao codificar a doutrina espírita, perguntou se os espíritos poderiam influenciar nossas vidas. E a resposta que eles deram foi curta e objetiva: "Influem muito mais do que podeis imaginar".
O fato é que convivemos com essa outra humanidade do plano espiritual e não nos damos conta da sua existência. A Bíblia confirma: "somos rodeados por uma grande nuvem de testemunhas" (Hebreus, 12). É constituída pelas pessoas que morreram e que, quando na vida terrena, não foram nem boas, nem ruins o suficiente para herdarem o céu ou inferno. Então, ficam por aí, vagando, na condição de espíritos. Algumas voltam para suas antigas moradias e tentam aproximar-se de seus familiares por diversos meios. Mas, como é natural, eles não conseguem percebê-las. Outras dão vazão as suas tendências negativas, frequentando prostíbulos, casas de jogo e de bebedeiras, influenciando as pessoas que lá se encontram e compartilhando de suas emoções. E há também as que sentem prazer em fazer o mal pelos mais variados motivos, como o de praticar uma vingança.
O conhecido orador espírita Divaldo Franco, conta que no início de suas atividades doutrinárias era perseguido por um espírito das sombras. O obsessor procurava se vingar de um erro cometido por Divaldo em uma vida passada e agora estava sempre a lhe causar complicações. A tal ponto que, em determinada ocasião, um desconhecido chegou a agredir o médium, por engano, sob a influência deste obsessor. Um dia, porém, uma criança recém-nascida foi deixada à porta da Mansão do Caminho, instituição de caridade, criada e dirigida por Divaldo Franco na capital da Bahia. O médium, como sempre, a acolheu com todo o amor e carinho, cuidou dela e a encaminhou na vida.
Tempos depois, o antigo espírito perseguidor lhe apareceu de novo e confessou que, com aquele ato de piedade, Divaldo o tinha emocionado e convencido. Aquela criança era um espírito muito ligado ao obsessor, em outra vida, tendo ele ficado muito grato e impressionado pela fraternal acolhida que foi dispensada a mesma. Assegurou a Divaldo que não mais o perturbaria. E, de fato, a partir daquele instante cumpriu fielmente o prometido. Mais uma vez, como já observara Shakespeare, registrou-se assim que "entre o Céu e a Terra há muita coisa que a nossa vã Filosofia não alcança".